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MERCADO BRASILEIRO É REFÉM DA DESINFORMAÇÃO Publicado em 23 de janeiro de 2012
O mercado brasileiro de acústica é refém da desinformação e do desconhecimento em relação a sua importância, soluções e benefícios. A afirmação foi feita por Davi Akkerman, da empresa Harmonia Acústica e presidente da recém-criada ProAcústica, entidade que realizou neste ano o 1º Encontro Nacional de Sustentabilidade Acústica na Arquitetura. A ProAcústica é formada por fabricantes de produtos para o setor, escritórios de arquitetura, de projetos e de consultoria. "Esse assunto é tabu no Brasil. De maneira geral, a cultura do brasileiro é fazer barulho mesmo, buzinar, abrir o escapamento do carro, ouvir música no último volume. Ele não está nem aí para os vizinhos", descreve. Para Akkerman, a poluição sonora sempre foi pouco debatida, em detrimento da ênfase na qualidade do ar e da água. No entanto, a questão é complexa, na medida em que são cada vez mais numerosas as fontes de ruídos nas cidades que, juntas, provocam danos à saúde da população. Além da perda auditiva, o excesso de decibéis nas áreas urbanas provoca doenças já comprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), resultando em graves distúrbios do sono, stress, problemas cardiovasculares e respiratórios. O ruído pode afetar ainda o desempenho no trabalho, ao interferir na comunicação oral, na concentração e na vida cotidiana das pessoas, prejudicando a saúde mental, o relaxamento, e causando impacto psicológico negativo. No caso das crianças, pode comprometer o crescimento e todo o processo de aprendizado. "A questão deveria envolver prioritariamente o poder público, que não tem feito quase nada a respeito. Não sei se por desinformação, omissão ou para não contrariar interesses econômicos. Imagine se tivéssemos o exemplo do poder público em disciplinar os excessos de ruído de grandes avenidas, aeroportos e rodovias?", propõe Akkerman. As normas técnicas brasileiras de acústica estão muito desatualizadas. A principal delas, a ABNT NBR 10.151 - Acústica - Avaliação de Ruídos em Áreas Habitadas, teve sua última revisão em 2000. Atualmente está no início outro processo de revisão e adequação quanto à poluição sonora no meio ambiente externo. "Da forma como está hoje, a norma se limita aos problemas jurídicos de reclamações sobre ruídos de vizinhança. Não contempla situações mais complexas das cidades, como o excesso de poluição sonora nas áreas urbanas. Só para ficar num exemplo, os sistemas de transportes, hoje em dia, que geram ruídos significativos devido ao tráfego de veículos leves, pesados, motos, trens e aviões, entre outros, não são abrangidos por ela", destaca Akkerman. Igualmente importante é a norma ABNT NBR 10.152, originalmente conhecida como Nível de Ruído para Conforto Acústico, de 1987. Seu processo de revisão durou sete anos e, finalmente, no início de 2011, seu novo texto foi aprovado, atualizando-a em relação aos parâmetros internacionais. "Mas, por uma questão política, creio eu, não teve ainda sua edição formalizada. Por ficar coerente com a realidade global, acaba entrando em choque com os interesses do mercado imobiliário, de maneira que está valendo ainda a versão de 1987, totalmente superada", declara Akkerman.
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