|
ARCOS DE AÇO SERÃO NOVOS MARCOS EM BLUMENAU Publicado em 22 de agosto de 2011
Nos próximos cinco anos, a população de Blumenau, em Santa Catarina, verá surgir na área central da cidade duas grandes intervenções urbanas. Trata-se de uma ponte e uma passarela, projetos de autoria do escritório paulista Estúdio América, escolhidos em concurso público nacional de arquitetura promovido pela prefeitura e organizado pelo departamento estadual do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SC). A nova ponte ligará os dois lados do rio Itajaí-Açu, a partir do eixo urbano da rua Chile. Já a passarela se incorpora ao roteiro de atrativos paisagísticos da margem esquerda, formados por caminhos ciclísticos e para pedestres. As obras são parte das ações de mobilidade urbana do Programa BID Blumenau (conhecido como Blumenau 2050), com vistas à reestruturação urbanística da cidade.
A ponte será mais uma ligação entre o centro e o bairro Ponta Aguda, na margem esquerda. A passarela ligará as áreas comercial e histórica da zona central à região conhecida como Prainha. A crescente demanda por soluções sustentáveis para os centros urbanos levou os arquitetos a darem atenção especial aos pedestres e ciclistas, que terão vias seguras e com traçado cuidadoso, de modo a incentivar e tornar agradáveis as alternativas ao automóvel. Além da passarela exclusiva, eles poderão circular por caminhos protegidos na ponte. “Procuramos desenvolver um projeto que estabelecesse forte diálogo com a paisagem de Blumenau. Conforme a ocasião do ano, o metal branco da ponte poderá receber iluminação específica, com diferentes cores, para marcar a passagem do tempo, os costumes e as festas típicas da comunidade”, explica o arquiteto Mario Figueroa, da equipe do Estúdio América.
Tanto a ponte como a passarela serão construídas com estruturas de aço em arco, tracionadas por cabos também de aço. “Os arcos resolvem o problema de atravessar o rio dentro dos limites do próprio vão. Ou seja, espacialmente não há nenhum tipo de elemento periférico que extrapole as dimensões da ponte, o que representa uma vantagem sobre outras tipologias estruturais para grandes vãos, como mastros estaiados ou pênseis, que necessitam de ancoragem distante”, explica Ricardo Dias, engenheiro da equipe do Estúdio América. As estruturas são formadas por peças pré-fabricadas que, por meio de junções, se configuram como um único elemento, construído com rapidez e baixo impacto ambiental. “Do ponto de vista simbólico, o arco é um artifício tradicional, usado desde os antigos romanos para ligar duas margens sobre um vale. É também presente na iconografia de Blumenau, representado pela ponte dos Arcos, algo que pode nos remeter a um sentido de progresso da técnica”, acrescenta o arquiteto Lucas Fehr, sócio do escritório e um dos autores do projeto.
O vão do arco da ponte, que tem a forma parabólica do segundo grau, é de aproximadamente 150 metros, ligando as cabeceiras do Itajaí-Açu junto às ruas Rodolfo Freygang e Chile. Segundo Dias, a flecha do arco proposto é de cerca de 50 metros. A relação entre a altura do arco e o vão foi definida para produzir, além da diminuição dos empuxos nos apoios, um impacto visual monumental. O engenheiro explica que o arco foi lançado esconso em planta, ajustando-se ao traçado da ponte, que tem, junto à cabeceira da rua Chile, um trecho curvo. Para estabilizá-lo lateralmente, foi considerado biengastado nas fundações. Foi proposto o lançamento de 52 estais não paralelos que partem do alinhamento inferior do arco e fixam-se a um tubo de seção circular no perímetro do tabuleiro, de onde sairão as vigas principais. Nessas posições, no arco e no tabuleiro, serão fixados conectores específicos para a protensão dos cabos - todos com acesso para manutenção e inspeção. A sequência de protensão será detalhada nas fases seguintes do projeto.
Comentários (0) |