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ENCONTRO DISCUTE EDIFÍCIOS NO ESPAÇO URBANO
Desde a realização de seu primeiro simpósio, no final de 2008, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) vem ampliando a pauta de assuntos levados para seus encontros. Este ano, o espaço urbano foi o protagonista do 4º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado no final de agosto, em São Paulo. Para discutir a temática proposta - o papel da construção sustentável no desenvolvimento das cidades -, os organizadores convidaram para os dois dias de debates um grupo multidisciplinar, composto por profissionais das áreas de saúde, arquitetura, engenharia, empresários, pesquisadores e professores universitários. Ao final, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lançou um desafio: "Coloquem na mesa um projeto de desenvolvimento de economia sustentável para a construção civil", propôs aos empresários do segmento. Um dos maiores desafios do setor é a destinação correta dos resíduos da construção, assunto prioritário desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada, no dia 2 de agosto de 2010, prevendo uma gestão compartilhada por fabricantes, fornecedores e demais participantes da cadeia produtiva. Daí a importância da criação de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos para os geradores, pois a PNRS estabelece que cabe a eles a responsabilidade pela destinação final. A PNRS incorpora conceitos de ciclo de vida, introduz a logística reversa, com a finalidade de tratamento de resíduos perigosos, e tira do setor público a responsabilidade de destinação dos resíduos sólidos, além de apontar a reciclagem como prioridade, explica Sérgio Ângulo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e professor do Departamento de Engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Durante o seminário, Ângulo chamou a atenção para as dificuldades das empresas e dos fabricantes de materiais no atendimento à PNRS e apontou alguns caminhos, como a reciclagem de baixo custo, no próprio canteiro, e o uso de resíduos de construção e demolição (RCD) em aplicações como pavimentação. "É preciso transformar a reciclagem em negócio e de forma estruturada. Temos que desviar do aterro sanitário tudo que for reciclável", afirma Ângulo. Para ele, a educação ambiental e a transferência de tecnologia são as ações mais importantes para a implantação da reciclagem. Apesar de este mercado estar crescendo lentamente, ele observa que algumas ações vêm trazendo mudanças. A tecnologia europeia de usinas móveis de reciclagem (britagem) está chegando ao Brasil, e com ela vem a vantagem da descentralização das usinas, facilitando a distribuição dos produtos. "Gerir corretamente o resíduo e incorporá-lo à obra tem vantagens econômicas", diz o pesquisador, citando outra tecnologia bem-sucedida na Holanda e na Alemanha há alguns anos: a obra de desmontagem. "O desmonte seletivo é feito com tecnologia de demolição, que leva ao aproveitamento de materiais como o aço, por exemplo, gerando viabilidade econômica. As usinas seletivas também melhoram a qualidade do material a ser reciclado", observa.
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