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São as mais diversificadas. Por exemplo, na região não existe uma unidade do Corpo de Bombeiros. Há um vazio, conhecido como “sombra”, porque o atendimento a qualquer incidente levaria mais de 15 minutos, tempo elevado, já que depois de dez minutos não se consegue controlar mais um incêndio. Já existe a proposta de instalar uma unidade ao lado do estádio, o que beneficiaria a região, mas não havia previsão de obras. Com o prazo de 2014, temos uma força maior para colocar em prática esse e outros projetos importantes para a cidade, mas que talvez demorassem um pouco mais para sair. Por isso, já fizemos uma reunião com o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, com as secretarias de Transportes do município e do estado, além do Ministério do Turismo, da Justiça e outros órgãos envolvidos. E é exatamente essa a nossa atribuição, pois um evento como esse, de grande complexidade, envolve inúmeros atores, necessitando da energia de todos.
Vamos dar qualificação profissional para os funcionários da rede hoteleira, de bares e restaurantes, para taxistas, entre outros. São Paulo já tem uma grande vocação para serviços, setor que gera 60% do seu PIB. Vamos melhorar a condição de prestação de serviços e a qualificação profissional para este grande evento, além de deixar isso também como legado para a cidade. O projeto Bem Receber Copa pretende dotar o setor de turismo de padrões internacionais de qualidade, com foco em pessoas, empresas e destinos. Vamos oferecer cursos gratuitos de qualificação para diversas áreas, através do Senai, Senac e outras instituições. Estamos conversando sobre isso e está tudo praticamente alinhado. Já foram realizados cursos com verbas do governo federal. Mas a ideia é iniciar uma boa parte desses cursos ainda neste semestre.
Hoje, no entorno do estádio há acesso apenas pela avenida Radial Leste. Existe um projeto de melhoria de acessos e de alargamento da Radial, para melhorar o trânsito entre o bairro e a região central. Ele prevê a construção de um túnel, a fim de não prejudicar a circulação local. Vamos ter ali acessos para a avenida Jacu-Pêssego, alças de ligação da nova Radial com a Jacu-Pêssego e, ainda, outro acesso para o largo São Miguel. Assim, o estádio ficaria mais bem servido. Está em andamento também o rodoanel que ligará Mauá até a rodovia Ayrton Sena. Enquanto ele não fica pronto, a Jacu-Pêssego está sendo utilizada pelos caminhões, impactando fortemente o trânsito na avenida. Mas esse tráfego pesado vai para o novo rodoanel.
Em minha opinião São Paulo tem as melhores condições para realizar a abertura da Copa. Já possuímos toda uma infraestrutura desenvolvida, o metrô está a menos de 800 metros do estádio, assim como a estação da CPTM. Temos a maior rede hoteleira nacional, com 42 mil unidades, e uma das maiores redes de restaurantes do mundo, com enorme e variada lista de opções culinárias. A capital conta também com a maior diversidade de nacionalidades do mundo, à frente de Nova York. Por nossos dois aeroportos internacionais, Guarulhos e Viracopos, passam 70% dos voos internacionais.
Nós já temos experiência de logística, pois todos os anos realizamos a Fórmula 1, com 70 mil pessoas em Interlagos. Sabemos que ninguém fica hospedado lá. O turista fica nas áreas mais centrais, principalmente na avenida Paulista, na zona norte ou na avenida das Nações Unidas. São os polos mais importantes de rede hoteleira. Então, na Copa não será diferente.
Dá. O principal é o estádio, cujas obras estão sendo tocadas a toda velocidade. O cronograma para as obras viárias do entorno está prevendo a conclusão para antes de junho de 2013. Estas estão em fase de ajustes no projeto executivo e sendo adaptadas para não interferir com a arquitetura do estádio. Mas as obras serão contratadas até o final deste ano.
O prefeito Gilberto Kassab sancionou o projeto de lei que prevê a concessão de incentivos fiscais de 420 milhões de reais advindos dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, os CIDs, para as obras do estádio. Esses papéis, negociados no mercado financeiro, podem ser adquiridos com deságio. Os certificados poderão ser usados, por exemplo, para pagamento de ISS [Imposto Sobre Serviços] e IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]. Os incentivos fiscais preveem ainda, em relação ao imóvel, a redução de 50% no IPTU pelo prazo de dez anos, diminuição de 60% no ISS e abatimento de 50% do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis.
A secretaria foi criada para coordenar o esforço municipal junto aos governos estadual e federal e à iniciativa privada, na preparação da Copa em São Paulo. Estamos fazendo a gestão de todos esses trabalhos durante o processo.
A atuação das secretarias municipais tem um foco mais amplo. Por exemplo, a SPTuris cuida do calendário de eventos da cidade para o ano todo. Isso inclui as feiras, Fórmula 1, Fórmula Indy, entre outros. O mesmo acontece com as demais secretarias, como a de Desenvolvimento Urbano, que trata das operações urbanas, sendo que cada uma delas envolve grande complexidade. Então, as iniciativas da Copa geram mais uma atribuição para as secretarias, → mas não são o único objetivo. Por isso, a Secopa foi criada para dar foco, centralidade e luz a todos os preparativos e movimentações que envolvem esse grande evento. Nosso objetivo é acelerar todas as iniciativas que vêm sendo tomadas dentro da administração. O principal esforço é a construção do estádio do Corinthians, para que São Paulo possa receber a abertura. Com esse sentido de coordenação, temos um determinado tempo e uma finalidade. Assim, articulamos as propostas e procuramos harmonizar as forças de trabalho envolvidas nesse grande acontecimento.
Não. Nós é que sugerimos a criação do comitê, pois precisamos ter uma ligação horizontal. Há um foco único, mas os projetos devem interagir entre si, com a participação de vários órgãos, dependendo do assunto: o projeto de segurança envolve a PM, a secretaria de Infraestrutura, a Prodam [empresa de tecnologia da informação da prefeitura paulistana] e o Orçamento municipal, por exemplo. A ideia do comitê é propiciar essa horizontalidade à ação, aproveitando todas as energias. Senão, o esforço fica fragmentado, cada um faz uma parte sem conversar com o outro.
Nós coordenamos o esforço da Copa, articulamos. O comitê é formado por representantes das secretarias e de outras entidades envolvidas. Então, trata-se de um fórum onde todos se reúnem e estabelecem o planejamento geral, expondo seus projetos. A secretaria promove a interação, pois é um meio e não o fim. As outras secretarias têm instrumentos de realização.
Para o país, a Copa tem uma importância política, em primeiro lugar, pois todo o esforço que o ex-presidente Lula realizou em viagens, apresentando o país e trazendo novas perspectivas de negócios, abriu portas para ajudar no desenvolvimento do Brasil, deixando a economia menos vulnerável. Agora, mesmo com a crise na Europa e nos Estados Unidos, temos mais possibilidades de nos sairmos bem. Assim, a Copa é um momento de apresentação do país para o mundo, dando visibilidade ao que estamos fazendo. O que é o Brasil hoje? E o que será em 2014 em termos de economia, cultura e potencialidades? Depois, há o aspecto econômico, trata‑se de um megaevento para a cidade, já que estamos pleiteando a abertura da Copa. E isso trará dividendos econômicos, pela via do turismo, serviços, capacidade de organização, abrindo-se a possibilidade de aumentar negócios e gerar recursos.
Temos de olhar também para a importância social. A Copa vai trazer oportunidades de emprego e de melhoria de renda. No caso de São Paulo, será construído o Itaquerão, estádio de ponta, uma arena com 65 mil lugares. Ele servirá depois para os eventos que a cidade sediará, e vai trazer um impacto positivo para o desenvolvimento da zona leste. Além do estádio, todo o entorno será beneficiado, promovendo a criação de um polo institucional, com rodoviária, Fatec [Faculdade de Tecnologia], Senai, Corpo de Bombeiros, uma incubadora para organizar novas empresas. Isso tudo vai resultar na valorização da região.
Isso está alinhado com a questão de criação de novas centralidades na cidade? é necessário criar polos de desenvolvimento? Não adianta apenas construir avenidas ou colocar mais ônibus e trens para circular. Precisamos ter uma cidade mais equilibrada em termos de qualidade de vida, geração de renda, emprego, local de estudo e moradia. Se as pessoas precisam atravessar a cidade para usar esses equipamentos, seja para estudar ou trabalhar, fica essa confusão. Então, a ideia é que com o estádio tenhamos condição de estabelecer mais um vetor de desenvolvimento para São Paulo. Já foram para lá a USP Leste, agora o estádio e depois possivelmente teremos a Unifesp [Universidade Federal de São Paulo], sendo que já existe uma área que será desapropriada para a construção da universidade. Nesses locais é necessário ter não só universidades privadas, mas também públicas, para dar oportunidade aos que necessitam do estudo gratuito. Com certeza a zona leste se beneficiará desse legado. Além, é claro, da cidade como um todo, que estará mais equipada em termos de infraestrutura, acarretando melhorias nos transportes. Em Itaquera será construída uma ferrovia que vai até Cumbica, aproveitando uma parte da linha da CPTM. Isso é um projeto necessário há muito tempo, que vai ser acelerado com a Copa. Há também a previsão do monotrilho que ligará o aeroporto de Congonhas à região da avenida Berrini, na zona sul, que tem uma grande oferta hoteleira. Tudo isso vai repercutir na cidade em termos de trânsito e infraestrutura.
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