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PORTO ALEGRE SE VOLTA PARA O RIO GUAÍBA Publicado em 05 de dezembro de 2011.
Concebido pelo estúdio espanhol b720, sob o comando do arquiteto Fermín Vázquez, em colaboração com o escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, responsável pelo plano diretor, o projeto de revitalização do cais Mauá se inspira em dois outros casos de sucesso: o porto de Barcelona, na Espanha, e Puerto Madero, em Buenos Aires.
O cais Mauá, antiga zona portuária de Porto Alegre, vai passar por uma profunda transformação. Com investimentos de 450 milhões de reais, em modelo de concessão por 25 anos, o consórcio que venceu a licitação assumiu esse grande desafio. A área, com 250 mil metros quadrados e mais de 2,5 quilômetros de comprimento, equivalente à frente portuária, tem o formato de uma língua. O empreendimento prevê a intervenção três eixos. Num dos extremos, ao norte, na área das docas, serão construídas três torres modernas, com fachadas envidraçadas, de tipologia triangular, que abrigarão escritórios e um hotel. No outro extremo da grande faixa, ao sul, haverá um shopping horizontalizado, que se integrará ao gasômetro, antiga central elétrica já convertida em espaço cultural público de múltiplo uso, onde predominarão atividades comerciais e de lazer. Na parte central, serão recuperados oito galpões, construídos em 1920, desocupados há 30 anos. A intervenção deverá promover a integração do cais com o centro de Porto Alegre.
Segundo o arquiteto Fermín Vázquez, a área portuária se caracteriza por ser alongada, além de estar bem próxima do centro histórico de Porto Alegre. “É um caso clássico de cidade onde o porto era o principal ativo, mas com o tempo ficou sem uso efetivo. Essas zonas se deterioraram em função das mudanças sociais e econômicas que mudaram as matrizes de transportes ao longo dos anos”, detecta Vázquez. Um dos primeiros desafios do projeto foi dar um tratamento à barreira física, um grande muro de concreto que se estende na avenida paralela ao cais e serviu de proteção contra as inundações do Guaíba, bastante significativas nos anos 1940 e 1950. Isso atrapalha a visão do rio a partir da região central. “A avenida está separada do cais pelo muro, por isso a ideia é ter várias portas automáticas vinculadas aos eixos para acessos às diferentes áreas e usos. Trabalhamos ainda uma atenção transversal por meio de calçadas e plataformas próximas ao rio, para oferecer uma série de destinos de circulação. Isso cria não somente uma atenção de continuidade, mas visa levar as pessoas a seus objetivos”, explica Vázquez.
Cais Mauá | Porto Alegre Projeto | b720 e Jaime Lerner

 
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